Laje Nervurada

Laje nervurada

LAJE NERVURADA


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CONCEITO

Laje nervurada é um sistema em concreto armado de vigas que se cruzam, onde os vazios entre as nervuras são obtidos pela colocação de moldes e uma fina camada de concreto é executada por cima, como plano de piso. Este tipo de laje surgiu como forma de substituir o concreto das lajes maciças nos locais em que o mesmo não seja solicitado a esforços.

 

TIPOS/MODELOS

As lajes nervuradas podem ser moldadas in loco ou pré-fabricadas, ambas em uma ou duas direções. Há também as lajes nervuradas caixão-perdido, onde o material de preenchimento não é retirado. Tipos de matérias para colocar entre as nervuras:

• Tijolos cerâmicos;

• Caixas de fibrocimento, papelão ou madeira;

• Blocos de materiais diversos (concreto poroso/celular, madeira prensada);

• Placa de gesso;

• Placas de Eucatex;

• Telas deployé;

• EPS (poliestireno expandido/isopor);

• Formas especiais industrializadas (plástico/polipropileno).

 

MÉTODO/TÉCNICA CONSTRUTIVA

Laje moldada no local:

1. Montagem das escoras e do vigamento;

2. Execução da fôrma:

• A fôrma se caracteriza por um assoalho (tabuleiro) de madeira onde será executada a laje.

3. Locação dos moldes das nervuras:

• Os moldes devem ser alinhados com o auxílio de um sarrafo.

4. Colocação das armaduras:

• Prender os vergalhões e estribos.

5. Concretagem:

• Sarrafear e nivelar a laje.

6. Retirada das escoras, da fôrma e dos moldes;

7. O vão entre as nervuras pode ou não ser preenchido, fica a critério de projeto.

 

Laje com molduras pré-moldadas:

1. Locação das vigas ou vigotas pré-moldadas:

• Não necessita de fôrma, somente de escoras e cimbramento;

• A escora no centro é levantada acima do respaldo, criando uma contra flecha. A contra flecha é utilizada com a finalidade de sustentar o meio da laje acima do respaldo, para depois da concretagem e da retirada da escora, com o seu peso próprio, a laje volte à posição em nível com o respaldo. Caso não seja deixada a contra flecha, depois de retirada a escora, a laje ficará um pouco “embarrigada” e não na direção horizontal;

• As vigas são colocada usando um tijolo em cada extremidade, para espaça-las exatamente. A primeira camada de tijolos deve-se apoiar, de um lado sobre a parede e de outro sobre a primeira viga.

2. Entre as vigas, é encaixado o restante dos tijolos;

3. Colocação das armaduras;

4. Concretagem;

5. Retirada das escoras e dos elementos de molde.

 

CUIDADOS GERAIS NA EXECUÇÃO

1. Devido à grande concentração de tensões na região de encontro da laje nervurada com o pilar, deve-se criar uma região maciça para absorver os momentos decorrentes do efeito da punção;

2. Os moldes devem ser igualmente espaçados entre si e bem alinhados;

3. Durante a concretagem, são necessários cuidados para que os moldes não se desloquem.

 

PROPRIEDADES

1. Vantagens do uso de laje nervurada:

• Simplicidade na execução das formas das vigas, quando a altura da viga é igual a da laje;

• Maior rigidez ao conjunto da estrutura;

• Maior isolamento térmico e acústico;

• Possibilidade de obtenção de teto com superfície plana, facilitando a limpeza, melhorando a ventilação e não limitando previamente os espaços;

• Possibilidade de descontinuidade da superfície da laje;

• Para grandes vãos é mais econômica que as lajes maciça e cogumelo.

2. Desvantagens do uso de laje nervurada:

• Maior consumo de aço;

• Exige maiores cuidados durante a concretagem;

• Consumo do material inerte cujo preço pode ser elevado, ou na ausência deste, maior consumo de formas;

• Necessidade de espaço para estocagem do material inerte;

• A colocação de eletrodutos ou outros embutidos deve ser feita na região das nervuras, pois se efetuada por cima do enchimento reduzirá a já pequena espessura da mesa comprimida e consequentemente diminuirá a resistência da laje, podendo comprometer sua estabilidade;

• A distribuição de cargas concentradas não é feita de forma tão quanto nas lajes  maciças.

3. O emprego de lajes nervuradas propicia uma economia de materiais, de mão-de-obra e de fôrmas, simplifica a execução e permite a industrialização, com redução de perdas e aumento da produtividade, racionalizando a construção;

4. As lajes nervuradas são empregadas quando se deseja vencer grandes vãos e/ou grandes cargas. O aumento do desempenho estrutural é obtido em decorrência da ausência de concreto entre as nervuras, que possibilita um alívio de peso não comprometendo sua inércia;

5. Em regiões de apoio, tem-se uma concentração de tensões transversais, podendo ocorrer ruína por punção ou por cisalhamento. Nesses casos pode-se adotar uma região maciça envolta do pilar, formando um capitel ou faixas maciças em uma ou em duas direções, formando as vigas-faixa;

6. A largura das nervuras não pode ser inferior a 5 cm. Se houver armadura de compressão, a largura das nervuras não pode ser inferior a 8 cm;

7. A laje grelha é semelhante a laje nervurada, é quando as nervuras possuem mais de 1 metro de largura;

8. O material de enchimento da laje deve ser de fácil transporte na obra, que não necessite de equipamento especiais, por motivos de peso ou fragilidade e que agregue valor acústico e térmico na laje e que não esfarele ou danifique o sistema de formas.

 

MATERIAIS UTILIZADOS

Concreto (cimento, brita, areia, água, aditivos);

Aço

para armadura;

• Formas de madeira, onde são usadas as espécies: pinus, compensado naval e compensado resinado;

• Forma metálica;

• Molde das armaduras, já citados.

 


 

REFERÊNCIAS

NORMAS TÉCNICAS DE REFERÊNCIA:
• ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto;
• ABNT NBR 6120 – Cargas para o Cálculo de Estruturas de Edificações;
• ABNT NBR 7480 – Barras e Fios de Aço destinados a Amaduras para Concreto Armado;
• ABNT NBR 8953 – Concreto para Fins Estruturais.

 

OUTRAS REFERÊCNIAS:
• CONCER,  Camila Martins; SILVA, Daniela Ferronatto da; UAILA, Khiusha Kiener; CAVALCANTE, Lis Moreira e SILVA, Talita Micheleti Honorato da. Lajes: definições, aplicações e técnicas construtivas. Florianópolis, 2008. Documento não publicado, disponível em: http://www.arq.ufsc.br/arq5661/trabalhos_2008-1/lajes/lajes.pdf
• PINHEIRO, Libânio M; RAZENTE, Julio A. Estruturas de concreto – cap. 17 – Lajes nervuradas. 2003. Disponível em: CONCER,  Camila Martins; SILVA, Daniela Ferronatto da; UAILA, Khiusha Kiener; CAVALCANTE, Lis Moreira e SILVA, Talita Micheleti Honorato da. Lajes: definições, aplicações e técnicas construtivas. Florianópolis, 2008. Documento não publicado, disponível em: http://www.arq.ufsc.br/arq5661/trabalhos_2008-1/lajes/lajes.pdf
• VANDERLEI, Romel Dias. Lajes Nervuradas – Universidade Federal de Maringá. Disponível em: http://www.gdace.uem.br/romel/MDidatico/EstruturasConcretoII/4-%20Lajes%20Nervuradas.pdf
• LIBRELOTTO, Lisiane Ilha. Apostila de Tecnologia das Edificações II, Universidade Federal de Santa Catarina – Departamento de Arquitetura e Urbanismo. 2010. (Documento não publicado).