Aterro Reforçado

Aterro reforçado

ATERRO REFORÇADO


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  • CONCEITO

São incorporados no solo materiais que possuam elevada resistência a tração, visando aumentar os parâmetros de resistência do maciço e restringir as deformações desenvolvidas devido a solicitações de peso próprio do aterro e/ou oriundas da aplicação de carregamento externo. Ele pode ser reforçado com geotêxtil ou geogrelha.

 

  • TIPOS/MODELOS

1.Geotêxtil:

a. A matéria-prima para a fabricação do geotêxtil é o polímero, onde sua formação acontece através de uma reação química denominada polimerização, no qual “n” moléculas de monômero sofrem um processo de ligação, dando origem a macromoléculas;

b. É possível identificar três tipos de polímeros: borrachas ou elastômeros, plásticos e fibras. As fibras constituem o elemento base para a fabricação dos geotêxteis, sendo obtidas pela extrusão de polímero fundido através dos orifícios de uma placa (fieira). As fibras apresentam elevada razão entre o comprimento e as demais dimensões;

c. Apesar da grande diversidade de geotêxteis, pode-se agrupá-los basicamente em duas grandes classes: geotêxteis tecidos e não-tecidos. Existem também os geotêxteis tricotados que são menos utilizados.

2. Geogrelha:

a. A principal característica da geogrelha é a abertura da sua malha, que é grande o suficiente para permitir o entrosamento das partículas do solo ou material granular em contato com a mesma, proporcionando uma boa interação do conjunto;

b. Para isso, os fios e os nós que formam os elementos transversais e longitudinais da geogrelha, cruzamento dentre dois elementos, devem ter a rigidez e a resistência a tração adequada para haver o mecanismo de interação;

c. Este mecanismo se dá através do intertravamento entre o material de contato, que penetra no interior da malha, tracionando os elementos transversais, os quais transmitem a carga para os elementos longitudinais, através dos nós;

d. A abertura da malha permite também a drenagem  vertical da camada de solo integrante do sistema de reforço.

 

  • MÉTODO/TÉCNICA

A execução do maciço reforçado deve ser realizada por etapas, de forma incremental, a partir da utilização de uma forma que permita dar a conformação final a face da estrutura. Posteriormente, tal face deve receber proteção adequada, conforme indicação e detalhamento do projeto.

1. Fundação:

a. Preparo da fundação, incluindo a drenagem interna, quando necessária, e a disposição da primeira manta geossintética;

b. Tal manta deve possuir comprimento adicional suficiente para conformação do paramento e sua ancoragem do maciço.

2. Forma:

a. Posicionamento da forma com altura pelo menos igual à da espessura da camada de solo antes da sua compactação, junto ao alinhamento da estrutura desejada.

3. Envolvimento da manta:

a. Disposição e envolvimento adicional da manta sobre o material do aterro.

4. Compactação do aterro:

a. O material de aterro deve se compactado, de maneira a garantir um grau de compactação e desvio de umidade, que atenda às condições de projeto e o método de ensaio;

b. O aterro deverá ser executado com material predominantemente arenoso, limpo e isento de matéria orgânica, com menos de 5% de finos e sem a presença de grãos com dimensões superior a 15mm.

5. Paramento externo:

a. Após a execução de todas as camadas, deve ser executado o paramento externo final da estrutura.

 

  • CUIDADOS GERAIS NA EXECUÇÃO

1. Durante as operações descritas, não deve ser permitido o trânsito de equipamentos e máquinas sobre as mantas geossintéticas;

2. Nos locais onde as emendas entre mantas forem realizadas por sobreposição, o lançamento do material de aterro deve ser realizado levando em conta o sentido da sobreposição para evitar que o material se intercale entre as mantas;

3. Implantação da estrutura de acordo com as cotas, dimensões e declividades indicadas no projeto; 4. Sequência de instalação, incluindo lançamento e paramentos externos;

5. Verificação das condições de fundação, escavação, bases e elementos de drenagem;

6. Orientação e disposição dos elementos de reforço;

7. Características do solo de aterro (granulometria, drenabilidade, etc);

8. Condições de ancoragem dos elementos de reforço;

9. Controle da espessura das camadas compactadas;

10. Controle geométrico de acabamento e liberação das camadas compactadas.

 

  • PROPRIEDADES

1. A utilização desse processo possibilita, portanto, a execução de taludes íngremes, sub-verticais e verticais, determinando assim soluções de estabilização mais viáveis e mais econômicas;

2. Apresenta proporção entre altura e base de 0,4 a 0,7;

3. O geotêxtil deve resistir aos esforços de tração desenvolvidos no maciço;

4. É indispensável a proteção da face externa da manta, que é deteriorada pela radiação solar;

5. Superam altura maiores que os muros convencionais;

6. Os aspectos que favorecem a maior utilização dos geotêxteis são sua versatilidade, fácil emprego, excelente desempenho e principalmente o fato de proporcionarem baixo custo em comparação a soluções convencionais;

7. O uso de geotêxtil como reforço exige que permaneça tracionado por um longo período de tempo;

8. Devem ser empregada mantas geossintéticas (geotêxtil ou geogrelha) com resistência a tração que atenda as condições de projeto; tais materiais devem ser encaminhados ao local da obra em bobinas, e atender aos seguintes requisitos básicos de estocagem e manuseio:

– Estocagem: para estocagens de curta duração (1 mês), devem ser mantidas as  condições originais da embalagem (envelope plástico protetor), complementadas por uma cobertura com material opaco e impermeável (plástico preto, por exemplo);  Para estocagens de maior duração devem ser observadas as seguintes orientações: manutenção do geossintético em sua embalagem original, manutenção em local coberto, apropriado para o abrigo da luz solar, impedir o contato do geossintético com água da chuva, poeira e sujeiras em geral; caso a estocagem não tenha sido adequada, a fiscalização poderá solicitar ensaios que confirmem as características mecânicas e hidráulicas do geotêxtil.

• O material poderá ser manuseado e desenrolado manualmente ou através de equipamento dotado de eixo ou cabo que permita levantamento, transporte e desenrolar das bobinas; o corte do geossintético deve ser feito de acordo com as necessidades da obra, através de tesouras, facas, lâminas afiadas, etc; caso durante as operações de manuseio forem detectados danos ao geossintéticos, devem ser feitos remendos, unidos por costuras apropriadas em comprimento e dimensões suficientes para a adequada transmissão de esforços, conforme ilustrações do fabricante, os quais devem ser liberados pela fiscalização; os geossintéticos devem ser dispostos transversalmente ao desenvolvimento da obra, com as emendas entre mantas realizadas por sobreposição de 30 cm, alternativamente por costura ou entrelaçamento mecânico;

• Para proteção das mantas contra os raios solares e/ou destruição (vandalismo), junto ao talude podem ser usadas algumas alternativas de proteção de face, que consistem de: alvenaria de blocos estruturais, alvenaria de tijolos com vigas de laje pré-moldadas, concreto projetado, imprimação asfáltica e cobertura vegetal (grama armada, hidrossemeadura, etc.).

 

  • MATERIAIS UTILIZADOS

• Geotêxtil

• Geogrelha

 

 


 

REFERÊNCIAS
NORMAS TÉCNICAS DE REFERÊNCIA:
• ABNT NBR 8044 – Projetos geotécnicos;
• ABNT NBR 11682 – Estabilidade de Encostas;
• ABNT NBR 6122 – Projeto e Execução de Fundações;
• ABNT NBR 5629 – Execução de tirantes no solo;
• ABNT NBR 6118 – Projeto de Estruturas de Concreto;
 • ABNT NBR 9288 – Emprego de aterros reforçados.
OUTRAS REFERÊNCIAS:
• COSTA, Carina Maia Lins. Fluência de Geotêxteis. São Carlos, 1999. Documento não publicado disponível em: http://www.eesc.usp.br/geopos/disserteses/linscostadissert.pdf;
• Diretrizes Executivas de Serviços. Aterros Reforçados – Secretaria de Serviços Públicos, Prefeitura de Recife. 2004. Documento não publicado, disponível em: http://www.recife.pe.gov.br/pr/servicospublicos/emlurb/cadernoencargos/geotecnia_reforcados.pdf • Talude Seguro. Revista Téchne, edição 83. Editora Pini, São Paulo, Fevereiro de 2004.